Tu e Eu & Eu e Tu

Um blog de algodão doce

Era uma vez… Outubro 27, 2006

Filed under: Blogroll — hanokas @ 7:35 am
Todas as noites conto uma história à minha princesa antes de a deitar…
Por vezes pede-me a mesma uma dezena de vezes, mas desta vez pediu-me uma pequena história que há muito não lia:
“A galinha dos ovos de ouro”
E esta contava que um homem nunca satisfeito com a sua sorte, vivia amargurado porque não conseguia ter ouro… ouro suficiente para ser rico, pois só sendo rico seria feliz.
Um dia ao voltar para casa, após mais um dia de trabalho, encontrou um duende que vendo-o tão triste lhe perguntou se estaria doente, ou teria fome, ao qual o homem lhe respondeu que nem estava doente nem tinha fome, apenas estava triste porque a vida dele era triste, porque era pobre e assim continuava com a sua ladaínha.
Então o duende disse-lhe que o ouro não era o essencial, que era mais importante ser saudável, ter e poder ver a luz do Sol, poder trabalhar e ter alimento, poder desfrutar de todas as coisas que a natureza nos proporciona, mas nada disso convencia o homem.
Então o duende resolveu satisfazer aquele ser humano tão ávido de riqueza e deu-lhe uma galinha que punha ovos de ouro, dizendo-lhe que a partir daquele momento iria ser o homem mais feliz do mundo pois só teria de esperar que a galinha pusesse diariamente um ovo de ouro.
O homem agarrou na galinha e correu para casa para mostrar à mulher a solução para todos seus problemas, e ficaram a olhar para a ave à espera que esta cumprisse o seu desígnio.
Esperaram toda a tarde e toda a noite e só pela manhã a galinha pôs o seu lindo e reluzente ovo… O casal ficou a olhar completemente desconsolado para o ovo, pois só passado mais um dia teriam direito a outro ovo, e assim iria demorar imenso tempo até ficarem ricos.
E então tiveram a brilhante ideia de abrir a galinha para poderem ficar com os ovos todos de uma vez, e aí sim seriam ricos e afortunados e… felizes!
Assim fizeram, e qual não foi o seu espanto e arrependimento quando abriram a galinha e…. não havia mais ovos!
Diz o velho ditado “Quem tudo quer, tudo perde”.
Quantas vezes nos sorri a sorte, e nem assim ficamos satisfeitos.
Pretendemos sempre mais e mais. E, na ânsia de tudo possuirmos, cometemos erros por vezes irreparáveis…
Foi o que aconteceu ao dono da poedeira extraordinária, que levado pela ganância acabou por ficar de mãos a abanar.
A espécie humana tem ao longo da história, matado várias galinhas de ovos de ouro, sempre ávida de rápido enriquecimento…
Abate florestas, extingue recursos naturais, cobre de cimento paraísos à beira mar, vai destruindo o planeta. E para finalizar, embora em nada menos importante, vai descurando a vida familiar, não há tempo para os filhos, não há tempo para os pais, nem para os avós, aqueles que só de pensarem em nós se lhe esbate um sorriso nos olhos, aqueles que “já não se fazem mais”, porque já não há simplicidade como havia dantes, porque tudo mudou, as prioridades hoje são outras.
Hoje é mais importante a carreira profissional, o dinheiro tudo paga, paga uma ama para os meninos, paga para os lavar, para os vestir, para os levar a passear, para os acarinhar e depois quando vamos a ver estão casados e nós nem demos conta, e nem conseguimos pensar em ouvir chamar-nos de avó… enfim já é outro assunto…
Voltando à galinha…
Temos de ensinar às nossas crianças que temos de esperar, porque nada acontece sem esforço, e a ambição desmedida, que não olha a meios para obter os seus fins, acaba por dar mau resultado.
As crianças que raramente se contentam com o que têm, são as primeiras a quebrar o brinquedo favorito para verem o que o faz funcionar tão maravilhosamente… deitando tudo a perder.
Temos de ter consciência e sabedoria para incutir-lhes os verdadeiros valores familiares, a força que é necessária para seguir em frente, vencendo as contrariedades da vida, ultrapassando os obstáculos que se nos vão deparando, temos de os preparar para saberem amar, respeitar e acreditar nos outros, temos de os ensinar a ter fé, a acreditar que o seu futuro está tão-somente nas mãos deles.
Há que ensiná-los a sonhar para dar asas à sua vida, para construirem um futuro digno deles, um futuro radioso… tal como os queremos… sempre radiosos e felizes!
(conto adaptado das fabulas de La Fontaine)
 

Finalmente…

Filed under: Blogroll — hanokas @ 1:32 am

Hoje sorri!
Hoje chorei!
Hoje estou muito felizzzzzz!!!!!

Vou ser tia de uma MENINA!

A “minha” menina…

 

“Depois de um tempo você aprende” Outubro 22, 2006

Filed under: Blogroll — hanokas @ 5:32 am
“Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam… E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.

Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática.

Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais… que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor perante a vida!

As nossas dúdivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”

Para além de julgar este precioso texto um conjunto de verdadeiros ensinamentos e importantes reflexões e que há tanto tempo o supus como atribuído à imensa obra de Willian Ferdnand Shakespeare (que “corre” na Internet intitulado “Manual de Sobrevivência) na realidade e, após longa pesquisa, e sem querer denegrir a sua qualidade, é de autoria de Camila de Lima. Perguntar-se-á quem é Camila de Lima, pois bem, alguém que resolveu (e muito bem) homenagear uma data muito especial, a uma amiga, compilando pensamentos, citações e tudo quando mais gostava sobre Paulo Coelho, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, e tantos outros escritores, assim como alguns (segundo a autora) resquícios completamente originais de lições de vida. Na base deste texto, controverso quanto à sua autoria, reside um poema também ele atribuído a Shakespeare mas que está registado em nome de Verónica Shoffstall e foi escrito em 1971. Shakespeare jamais escreveu algum texto de auto-ajuda.
Aqui fica, então e também, o referido Poema:

“After a While”

After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn’t mean leaning
and company doesn’t always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren’t contracts
and presents aren’t promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow’s ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn…

© 1971 Veronica A. Shoffstall

 

O empurrão Outubro 17, 2006

Filed under: Blogroll — hanokas @ 9:49 pm
A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho. Seu coração se acelerou com emoções conflituantes, ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes empurrões. Porque é que a emoção de voar tem de começar com o medo de cair? – pensou ela.
O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso. Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes. E se justamente agora isto não funcionar?
Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento.
Sua missão estava prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final:
O empurrão.
A águia encheu-se de coragem. Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para a sua vida.
Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia.
O empurrão era o menor presente que ela podia oferecer-lhes. Era seu supremo acto de amor.
Então, um a um, ela os precipitou para o abismo.
E eles voaram!

Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia.
São elas que nos empurram para o abismo.
E quem sabe não são elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.
 

"Quase" Outubro 14, 2006

Filed under: Blogroll — hanokas @ 4:06 am
“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou, ainda joga,
quem quase passou, ainda estuda,
quem quase morreu, está vivo,
quem quase amou, não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até p’ra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão;
para os fracassos, chance;
para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando. Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

(Sarah Westphal Batista da Silva)

 

Pai, que estás no Céu Outubro 12, 2006

Filed under: Blogroll — hanokas @ 12:39 am

Já faz três anos
e parece que foi ontem
que um manto negro
se abateu sobre nós
Que um frio gelado
tomou o nosso corpo e o nosso espírito
e que uma chama se apagou no nosso coração.

Sei que sabes
que todos os dias te recordamos com muita saudade
com muita dor…
com a magoa de não termos tido tempo para nada!

Mas sei que sabes que não ficaram sentimentos por transmitir,
sei que onde não houve palavras, houve sentimentos,
houve aquele olhar, que tudo dizia.
Sei que sabes que és tudo,
que serás sempre tudo o que quer dizer “PAI”
para mim, para todos aqueles que contigo viveram,
que contigo conviveram
Lamentações que hoje não nos servem para nada
mas que na nossa consciência, quero que fiquem marcadas…
Tenho pena, tanta pena que não estejas presente,
fisicamente, nos pequenos actos da infância dos teus netos,
e que estes, que agora vão nascer,
não venham a ter a lembrança fisica da tua existência…

Tenho todos os dias presente as tuas palavras,
o teu amor por nós,
a tua entrega por todos, a tua dedicação…

E também todos os dias recordo o teu olhar, já sem esperança
vejo as tuas mãos, já caídas…
o teu rosto como que a pedir, em silêncio,
para partires,
tão grande que foi o teu sofrimento!

Sofro, sofro em silêncio
a tua ausência
mas sei que sabes que todos os dias
falo aos teus netos de ti
todos os dias te tenho presente no meu coração
e todos os dias da minha vida serão para te amar
para te respeitar
e para ensinar aos que virão aquilo que tu nos ensinaste…
Não te vamos nunca esquecer, nem aquilo que tu foste:
um verdadeiro AMIGO

Para sempre o nosso obrigado

(em memória de alguém que me marcou muito, e me faz falta)
 

Dá-me tempo… Outubro 7, 2006

Filed under: Blogroll — hanokas @ 7:21 am
Vida tão farta de nada
E vazia de tudo
Sonhos apenas sonhados
E nunca alcançados

Sonambular uma vida
Sobreviver na pretidão da noite
Viver o que não sou
Sentir o que não quero
Sorrir a mágoa
Cantar o gáudio
Quando no meu coração
Só pulsa a melancolia!

Oh tempo, dá-me tempo…

Desfaleço em prantos clamando tempo…
Oh tempo, dá-me do teu tempo!

Para sonhar o que não sonhei…
Para viver o que não vivi…
Para sentir o que reprimi…
Para chorar o que ainda não chorei…

Oh tempo, dá-me tempo…