Por vezes pede-me a mesma uma dezena de vezes, mas desta vez pediu-me uma pequena história que há muito não lia:
“A galinha dos ovos de ouro”
E esta contava que um homem nunca satisfeito com a sua sorte, vivia amargurado porque não conseguia ter ouro… ouro suficiente para ser rico, pois só sendo rico seria feliz.
Um dia ao voltar para casa, após mais um dia de trabalho, encontrou um duende que vendo-o tão triste lhe perguntou se estaria doente, ou teria fome, ao qual o homem lhe respondeu que nem estava doente nem tinha fome, apenas estava triste porque a vida dele era triste, porque era pobre e assim continuava com a sua ladaínha.
Então o duende disse-lhe que o ouro não era o essencial, que era mais importante ser saudável, ter e poder ver a luz do Sol, poder trabalhar e ter alimento, poder desfrutar de todas as coisas que a natureza nos proporciona, mas nada disso convencia o homem.
Então o duende resolveu satisfazer aquele ser humano tão ávido de riqueza e deu-lhe uma galinha que punha ovos de ouro, dizendo-lhe que a partir daquele momento iria ser o homem mais feliz do mundo pois só teria de esperar que a galinha pusesse diariamente um ovo de ouro.
O homem agarrou na galinha e correu para casa para mostrar à mulher a solução para todos seus problemas, e ficaram a olhar para a ave à espera que esta cumprisse o seu desígnio.
Esperaram toda a tarde e toda a noite e só pela manhã a galinha pôs o seu lindo e reluzente ovo… O casal ficou a olhar completemente desconsolado para o ovo, pois só passado mais um dia teriam direito a outro ovo, e assim iria demorar imenso tempo até ficarem ricos.
E então tiveram a brilhante ideia de abrir a galinha para poderem ficar com os ovos todos de uma vez, e aí sim seriam ricos e afortunados e… felizes!
Assim fizeram, e qual não foi o seu espanto e arrependimento quando abriram a galinha e…. não havia mais ovos!
Diz o velho ditado “Quem tudo quer, tudo perde”.
Quantas vezes nos sorri a sorte, e nem assim ficamos satisfeitos.
Pretendemos sempre mais e mais. E, na ânsia de tudo possuirmos, cometemos erros por vezes irreparáveis…
Foi o que aconteceu ao dono da poedeira extraordinária, que levado pela ganância acabou por ficar de mãos a abanar.
A espécie humana tem ao longo da história, matado várias galinhas de ovos de ouro, sempre ávida de rápido enriquecimento…
Abate florestas, extingue recursos naturais, cobre de cimento paraísos à beira mar, vai destruindo o planeta. E para finalizar, embora em nada menos importante, vai descurando a vida familiar, não há tempo para os filhos, não há tempo para os pais, nem para os avós, aqueles que só de pensarem em nós se lhe esbate um sorriso nos olhos, aqueles que “já não se fazem mais”, porque já não há simplicidade como havia dantes, porque tudo mudou, as prioridades hoje são outras.
Hoje é mais importante a carreira profissional, o dinheiro tudo paga, paga uma ama para os meninos, paga para os lavar, para os vestir, para os levar a passear, para os acarinhar e depois quando vamos a ver estão casados e nós nem demos conta, e nem conseguimos pensar em ouvir chamar-nos de avó… enfim já é outro assunto…
Voltando à galinha…
Temos de ensinar às nossas crianças que temos de esperar, porque nada acontece sem esforço, e a ambição desmedida, que não olha a meios para obter os seus fins, acaba por dar mau resultado.
As crianças que raramente se contentam com o que têm, são as primeiras a quebrar o brinquedo favorito para verem o que o faz funcionar tão maravilhosamente… deitando tudo a perder.
Temos de ter consciência e sabedoria para incutir-lhes os verdadeiros valores familiares, a força que é necessária para seguir em frente, vencendo as contrariedades da vida, ultrapassando os obstáculos que se nos vão deparando, temos de os preparar para saberem amar, respeitar e acreditar nos outros, temos de os ensinar a ter fé, a acreditar que o seu futuro está tão-somente nas mãos deles.
Há que ensiná-los a sonhar para dar asas à sua vida, para construirem um futuro digno deles, um futuro radioso… tal como os queremos… sempre radiosos e felizes!






